Carlos Toshiki & Omega Tribe: uma voz do Brasil no city pop

O quarteto da formação Carlos Toshiki & Omega Tribe (1988~90) | Foto: Divulgação/VAP

Ainda em clima de revival do gênero musical city pop, a gravadora VAP segue com um projeto de celebração do aniversário da banda Kiyotaka Sugiyama & Omega Tribe (ou simplesmente S. Kiyotaka & Omega Tribe), que esteve em atividade entre 1983 e 1985. Para dar continuidade ao projeto musical, um brasileiro foi escolhido no final de 1985 para renovar o som de verão, que conquista antigos e novos fãs até hoje. Conheça hoje a trajetória das formações 1986 Omega Tribe e Carlos Toshiki & Omega Tribe.

O brasileiro que não desiste nunca!

O jovem nipo-brasileiro Carlos Toshiki | Foto: Divulgação

Nascido em 7 de abril de 1964, Carlos Toshiki Takahashi é natural de Londrina, Paraná. É filho de pai japonês e mãe nikkei, que eram donos de um restaurante. Toshiki cresceu em Maringá e ouvia vários estilos musicais, indo do pop americano até a música japonesa. Seu pai também foi responsável por sua influência musical, uma vez que ele era DJ de uma estação de rádio.

Mas Toshiki tinha medo de cantar em plateia. Como incentivo, seu pai prometeu uma viagem para Tóquio se ele vencesse um concurso musical de Maringá. Ele conquistou o terceiro lugar. Em 1981, aos 17 anos, Toshiki participou de concurso musical do estado do Paraná e conquistou o primeiro lugar.

Lá no Japão, o brasileiro tentou sucesso em 1982 ao lançar o single “Lucia”, mas sem sucesso. Ele seguiu na Terra do Sol Nascente como lavador de pratos em um restaurante. A pedido de seu chefe, Toshiki cantava no karaokê do estabelecimento durante os intervalos de trabalho. Muitas pessoas iam ao restaurante, inclusive, só para ouvi-lo cantar, conquistando assim a popularidade entre os clientes.

Ouça as músicas “Lucia” e “Aishu no Ipanema”, ambas de 1982:

Após tentativas frustradas, Toshiki não desistiu e em 1985 enviou uma fita demo para várias gravadoras, na esperança de lançar um single de sucesso. A fita acabou chegando nas mãos do produtor Koichi Fujita (1947~2009), que estava em busca de um novo vocalista para a banda S. Kiyotaka & Omega Tribe, que já estava com os dias contados, devido ao anúncio de carreira solo do estiloso vocalista de óculos escuros.

Fujita ficou impressionado com a voz de Toshiki e considerou a possibilidade de lançá-lo em carreira solo ou como parte da banda. O jovem aspirante visitou os estúdios da gravadora VAP e fez um teste, escolhendo a música “Futari no Natsu Monogatari”, de S. Kiyotaka & Omega Tribe. Após a audição, Fujita deu oportunidade ao brasileiro para substituir Sugiyama e se juntar ao demais integrantes que resolveram ficar.

Antes de sua estreia, Toshiki recebeu aulas de canto e japonês e ainda conferiu de perto a turnê de despedida da formação original da banda. Fujita nomeou Carlos Toshiki como vocalista e líder do então novo Omega Tribe. Junto com ele estavam o guitarrista Shinji Takashima e o tecladista Toshitsugu Nishihara, ambos da antiga formação. O produtor também queria um quarto integrante e escolheu Mitsuya Kurokawa (1951~2020), um guitarrista das bandas de apoio das cantoras Momoko Kikuchi e Hiromi Iwasaki. Assim, Fujita rebatizava a banda como 1986 Omega Tribe.

O sucesso de 1000%

Capa de “Kimi wa 1000%”, primeiro single de 1986 Omega Tribe | Foto: Divulgação/VAP

Enfrentando pressão com a saída de Sugiyama, a então nova banda precisava de um single que cativasse o público japonês. O compositor Tetsuji Hayashi e os letristas Chinfa Kan e Yasushi Akimoto deixaram de contribuir para o Omega Tribe após a saída do antigo vocalista. Com isso foi criada uma nova equipe de produção, incluindo o letrista Masao Urino e o compositor Hiroshi Shinkawa.

Fujita convidou Toshiki ao Havaí para falar sobre sua vida entre o Brasil e o Japão, chegando a perguntar se havia alguma semelhança entre o Brasil e o Japão. Toshiki respondeu que a palavra japonesa para 1.000 é sen, que é parecida com 100 (cem em português). Foi então que Fujita teve a ideia de chamar o letrista Masako Arikawa para escrever uma nova música usando a palavra sen no refrão. Após a composição da letra, a música foi intitulada como “Kimi wa 1000%” (Você é 1000%).

Lançado em 1º de maio de 1986, o single de estreia se tronou sucesso e ficou em 6º lugar na parada da Oricon, vendendo cerca de 293.220 cópias. A música virou tema do dorama Shin Netchu Jidai Sengen, estrelado pela atriz e cantora pop Ikue Sakakibara, que ajudou a impulsionar a popularidade da banda 1986 Omega Tribe.

Veja uma apresentação ao vivo de 1986 Omega Tribe cantando “Kimi wa 1000%”:

Em 23 de julho do mesmo ano, a banda lançava o álbum de estreia Navigator, figurando o segundo lugar nas paradas e vendendo 433.590 cópias. A música que tinha o mesmo nome do disco também virou faixa do single “Super Chance”, que foi lançado em 7 de agosto de 1986 e rendeu o segundo lugar para a banda nas paradas da Oricon, além da primeira e única vez no topo no programa The Top Ten da emissora TBS.

“Super Chance” também foi tema de comerciais da Fuji Film, estrelados pela cantora Yoko Minamino (Saki Asamiya na segunda temporada da série Sukeban Deka). O sucesso de 1986 Omega Tribe foi celebrado no programa de TV Yoru no Hit Studio, onde Toshiki falou com seus pais por telefone e teve a surpresa de reencontrá-los pessoalmente depois de seis anos.

“Cosmic Love”, o terceiro single da banda, foi lançado em 15 de outubro de 1986, alcançando o terceiro lugar nas paradas da Oricon e o segundo lugar no The Best Ten. Deixando de lado a atmosfera de verão, a música tinha um ritmo mais rápido do que os dois singles anteriores, adotando uma temática espacial.

Com o ano de 1986 chegando ao fim, a banda começou a produzir Crystal Night, o segundo álbum. Assim como artistas da época, a equipe de produção estava bem interessada nos sons elétricos baseados na contemporânea black music americana.

Os quatro integrantes da formação 1986 Omega Tribe | Foto: Divulgação/VAP

Crystal Night foi lançado em 4 de fevereiro de 1987 e suas faixas contavam com os arranjos de especialistas em design de som como Motoki Funayama e Hiroshi Shinkawa, que utilizaram instrumentos como sintetizadores digitais e analógicos e reverberação digital. O álbum ficou em segundo lugar na Oricon. Ainda no mesmo ano, 1986 Omega Tribe foi premiado com o Japan Gold Disc Award pelo álbum Navigator.

Em 21 de junho do mesmo ano, a VAP lançou o álbum compilatório 1986 Omega Tribe DJ Special, narrado pelo DJ havaiano Ron Wiley, da estação de rádio local KIKI. O modelo foi inspirado em Kamasami Kong DJ Special, o álbum compilatório que reuniu canções dos dois primeiros álbuns da banda S. Kiyotaka & Omega Tribe. A única novidade do disco especial era o single promocional “Brillant Summer”, sendo a primeira vez que incluiu backing vocals e músicos de estúdio americanos.

Lançado em 15 de julho de 1987, o quarto single “Miss Lonely Eyes”, alcançou o segundo lugar nas paradas da Oricon e ficou em terceiro no programa The Best Ten. Já “Stay Girl Stay Pure”, lançado em 18 de outubro de 1987, foi inspirado no jazz e teve mais influência ocidental que os demais singles da banda. Atingiu a quinta posição da Oricon e ficou marcado como o último single de 1986 Omega Tribe.

Isso porque Mitsuya Kurokawa havia parado de tocar guitarra por problemas de saúde, tendo que deixar a banda durante a produção do próximo álbum, Down Town Mystery.

Novo nome, nova formação

Down Town Mystery foi o primeiro álbum da então nova formação Carlos Toshiki & Omega Tribe | Foto: Divulgação/VAP

A equipe de produção resolveu renomear a banda para Carlos Toshiki & Omega Tribe, já que o “1986” no nome já estava bem defasado para o então novo ano de 1988. Sem contar que a equipe queria aumentar a atuação do vocalista brasileiro na banda.

Down Town Mystery acabou sendo então o álbum de estreia da nova banda – ou da banda com seu novo nome. A produção contou com o auxílio de americanos como Marty Bracey e Wornell Jones, além de outros músicos de estúdio como Teruo Goto. Todos eles já haviam contribuído para o Omega Tribe em 1987.

O single com o nome do próximo álbum foi lançado em 9 de março de 1988, incluindo uma “Daylight Version” e uma “Nighttime Version”, mixadas respectivamente por Eiji Uchinuma e Kunihiko Shimizu. Em tempo, o álbum Down Town Mystery foi lançado em 6 de abril de 1988 e incluiu o single “Stay Girl Stay Pure” – de 1986 Omega Tribe – entre as faixas.

Em 10 de agosto do mesmo ano, a banda lançou “Aquamarine no Mama de Ite”, tema do dorama Dakishimetai!, da Fuji TV. A música teve a participação do trompetista americano Jerry Hey. Apesar de obter menos sucesso em relação aos singles anteriores, se tornou a música mais popular da banda com a ajuda do dorama, ficando em terceiro lugar nas paradas.

Capa do single “Reiko”, que marcou a estreia oficial do cantor afro-americano Joey McCoy na banda | Foto: Divulgação/VAP

Durante a produção de Down Town Mystery, a equipe de produção gostou bastante da performance de um backing vocal americano chamado Joey McCoy. Ele também chegou a cantar o refrão de “Aquamarine no Mama de Ite” e mais tarde cantou “Reiko”, se consagrando como o quarto integrante de Carlos Toshiki & Omega Tribe.

O single lançado em 10 de novembro de 1988 tinha influência ocidental e um estilo synth-pop, que era ainda mais forte que o típico soft rock da banda. Atingiu a 15ª posição nas paradas. Foi lançada também uma versão em inglês de “Reiko”, com os arranjos de Jerry Hey, e atingiu a 78ª posição nas paradas.

Be Yourself, o segundo álbum da banda, foi lançado em 8 de fevereiro de 1989 e ficou em 9º nas paradas. O disco contou com os arranjos de Hey e a volta de Tetsuji Hayashi e até de Kiyotaka Sugiyama para algumas composições. Mesmo com este retorno significativo, muitos sentiam que algumas das músicas eram insatisfatórias.

Em 21 de julho de 1989, Carlos Toshiki & Omega Tribe lançaram seu quarto single, “Dōshite Suki to Itte Kurenai no”, que ficou na 24ª posição. Em 5 de setembro de 1989, a banda lançou o quinto single “Hana no Furu Gogo”, tema do filme com título homônimo. A música atingiu a 26ª posição nas paradas. Este mesmo single foi incluído no terceiro álbum, Bad Girl, que foi lançado em 21 de setembro do mesmo ano e alcançou a 26ª posição nas paradas.

Natsuko foi o quarto e último álbum de estúdio de Carlos Toshiki & Omega Tribe, que já estava em casa nova | Foto: Divulgação/Warner Music Japan

Os fãs estavam cada vez mais insatisfeitos com a mudança dos típicos estilos soft rock e city pop da banda, além da inconsistência entre singles e álbuns. Isso fez com que Fujita mudasse seus sentimentos sobre a banda a cada queda no ranking da Oricon.

O ano de 1990 chegou e, por razões desconhecidas, a banda trocou a gravadora VAP pela Warner Music Japan, e lançou em 25 de junho daquele ano o sexto e último single “Toki wa Kagerō” , escrito por Yumi Matsutoya. Dois dias depois, em 27 de julho de 1990, foi lançado Natsuko, o quarto e último álbum de Carlos Toshiki & Omega Tribe. A arte da capa foi feita por Mineko Ueda e contou com a volta do letrista Yasushi Akimoto.

Em 14 de dezembro de 1990, após uma apresentação de “Kimi wa 1000%” no programa de TV Music Station, da TV Asahi, a banda anunciou o fim, que aconteceria após uma turnê de despedida realizada entre 21 de fevereiro de 1991 a 16 de março de 1991. A última apresentação de Carlos Toshiki & Omega Tribe aconteceu mais precisamente na Nissin Power Station. E para os fãs não ficarem “órfãos”, foi lançado em 10 de abril de 1991 um álbum especial chamado The Graduate Live, com apresentações ao vivo realizadas no Shibuya Public Hall.

Assista ao trecho de uma apresentação de Carlos Toshiki & Omega Tribe cantando os clássicos brasileiros “Seu Melhor Amigo”, de Fábio Jr. e “Lança Perfume”, de Rita Lee:

Veja também Carlos Toshiki interpretando uma versão acústica e em português de “Kimi wa 1000%”:

Carreira solo, hiato e retorno ao mundo da música

Carlos Toshiki seguiu carreira solo a partir de 1991. Dois anos depois ele teve a honra de entrevistar, para a Fuji TV, dois grandes nomes do esporte brasileiro: o saudoso Ayrton Senna, tricampeão da Fórmula 1 e o jogador Zico.

Veja na íntegra:

Ele deixou a carreira artística em 1995 e voltou ao Brasil, atuando como operador de um restaurante. No ano 2000, Toshiki apareceu no programa Anohitohaima!?, da Nippon TV. Ele ainda fez uma visita ao Japão no mesmo ano para cantar pessoalmente os singles “Kimi wa 1000%” e “Aquamarine no Mama de Ite”. Além disso, o brasileiro lançou o álbum independente Carlos ainda em 2000.

Em 2010, Toshiki apareceu no programa Dai Tsuiseki! Ano Nyuusu no Tsudzuki, da Fuji TV, onde foi dito que o cantor estava à frente da produtora brasileira Techno Planter. Realizou uma turnê entre fevereiro e março de 2017, para celebrar seus 30 anos de carreira, passando por Yokohama, Tóquio, Nagoya, Osaka e Fukuoka. Retornou ao Brasil em seguida para ajudar no restaurante de sua família e ficou um tempo afastado dos holofotes.

Toshiki seguiu carreira agrícola, se ingressou em uma universidade brasileira para estudar Biotecnologia e trabalhou para uma empresa de sementes aos 47 anos, sendo considerado um dos maiores especialistas em alho no Brasil.

Mas sua carreira musical não havia terminado. Em 2018, Toshiki se tornou vocalista da banda japonesa B-EDGE, na qual interpretou canções originais e reinterpretou sucessos da sua época de Omega Tribe.

Carlos Toshiki em Curitiba, no ano de 2016: Foto: Anna Mascarenhas/Risca Faca

A partir desta quarta (15), a gravadora VAP lança o álbum compilatório The Reverb 2022 Omega Tribe, incluindo versões remix destas duas formações da banda. Sob supervisão do arranjador Hiroshi Shinkawa, a seleção especial também está disponível no Brasil pelo Spotify. Ao todo são 16 faixas remasterizadas e com novos arranjos.

O álbum está dividido em duas edições. A primeira é da gravadora VAP, que inclui 9 músicas de 1986 Omega Tribe. E a segunda edição é da gravadora Warner Music Japan, que inclui 7 músicas de Carlos Toshiki & Omega Tribe, dentre elas uma faixa bônus: versão especial de Aquamarine no Mama de Ite, que é intitulada como Aquamarine no Mama de Ite 2022.

Confira os trechos das faixas:

Ainda este mês, também será lançado no Japão o livro 1986 Omega Tribe/Carlos Toshiki & Omega Tribe Crystal Sound Secret, sequência do livro Kiyotaka Sugiyama & Omega Tribe 35th Year of Truth – lançado em agosto de 2018. A nova publicação terá um grande número de depoimentos e fotografias.

Autor: César Filho

Radialista. É autor do Blog Daileon e escreve semanalmente uma coluna sobre tokusatsu para o site JBox. Em Fortaleza, apresentou palestras em eventos como Sana e Anime Master entre 2013 e 2017. É fã de produções live action com efeitos especiais, principalmente das franquias Metal Hero, Ultraman e Kamen Rider. É admirador declarado pela cantora Yumi Matsuzawa.

5 comentários em “Carlos Toshiki & Omega Tribe: uma voz do Brasil no city pop”

  1. Eu que upei pro youtube 2 desses vídeos usados na matéria kkk.
    Sou fã desse cara. Só descobri que ele era brasileiro ao ver alguém comentando em um vídeo aleatório do youtube e fiquei muito surpreso.
    Ele tem uma história de vida bem curiosa, principalmente ao estabelecer essa conexão entre nós, brasileiros fãs de city pop, e uma banda tão conhecida do gênero.
    Se tratando de um país que infelizmente tem uma fama tão ruim no exterior por causa da violência, sempre é bom conhecer brasileiros que são admirados em alguna outra parte do mundo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Venissus. Também passei a curtir ouvindo S. Kiyotaka & Omega Tribe até chegar nas músicas da formações seguintes. Pra mim, “Kimi wa 1000%” é a música mais linda de 1986 Omega Tribe e eu fico até arrepiado ao escutar. Toshiki nos representa muito bem.

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  2. veja .como são as coisas . nos anos 90 aqui no Paraná a afiliada da rede globo e o banco Bamerindus fizerao uma campanha publicitaria para divulgar os talentos que nasceram no estado. dentre esses . Sonia Braga, Tony ramos , Ary Fontoura e muitos outros . passados quase 30 anos vinha na minha mente um artista paranaense que fazia sucesso no Japão. mas não lembrava de seu nome . hoje abrindo o blog daileon . me deparei com essa matéria .obrigado me ajudou a saber o que eu desejava saber.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Uma coisa que esqueci de comentar, no YouTube tem um globo repórter de 1988 falando da imigração japonesa no Brasil em que Pedro Bial faz uma rápida entrevista com o Toshiki após um show lotado, além de uns jogadores de futebol, uma modelo, e outros brasileiros conhecidos lá na época.

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