Revisitando os Ultra filmes no Brasil #2 – Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço (1999)

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Gaia em sua primeira aventura no cinema

Este pode ser tido como o filme mais infantil da Família Ultra a vir ao Brasil. Mas Ultraman Tiga, Ultraman Dyna & Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço pode ser encarado como um típico título de Sessão da Tarde. Não precisa o espectador saber tudo sobre a série Ultraman Gaia (1998~99) para assistir. É simples e um tanto curioso para os padrões da franquia.

A história começa quando Gamu Takayama – o alter-ego do herói – enfrenta seu próprio sósia, que revela ser o monstro Satanbizor. No momento ápice da batalha, a cena é interrompida e logo somos apresentados a uma realidade parecida com a nossa (de telespectador). O protagonista do filme é Tsutomu Shinsei, um pequeno estudante de dez anos que é fã dos Ultras, especialmente do Gaia (o então herói vigente, é claro). Um dia Tsutomu encontra uma esfera vermelha que lhe concede qualquer desejo. O garoto confia esse segredo para seu melhor amigo Yu Hirama e a novata Lisa Nanase.

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Tsutomu e seus amigos diante de uma poderosa esfera vermelha

A situação fica complicada quando a esfera é roubada por uns bad boys da escola e invocam o monstro Satanbizor para o “mundo real”. Nesse momento Tsutomu se vê em desvantagem e faz o seu pedido: de conhecer Gamu Takayama, o Ultraman Gaia da série homônima da TV. Após salvar a cidade, uma série de anomalias e fenômenos paranormais ocorrem em volta das pessoas do convívio de Tsutomu, incluindo até mesmo o seu admirado herói.

Ultraman Gaia se passa em um multiverso diferente das séries da era Showa e de Tiga & Dyna. A concepção de multiverso se tornou uma característica de Ultraman anos depois com a série Ultraseven X e do filme Ultraman Zero: A Vingança de Belial. O filme é uma ideia do que talvez a Tsuburaya já planejava para as próximas produções. Gaia pode ser uma grande referência disso por ter o mesmo desejo de Guliver em querer viajar por diferentes mundos. Ponto mencionado no filme, inclusive.

A Batalha no Hiperespaço procura unir a ficção com a realidade através de um simples desejo de uma criança em querer conhecer um herói da TV. O filme diverte com situações cômicas. Consequências como uma enxurrada de crianças correr atrás de Gamu pedindo para que ele se transforme em Ultraman e coisas do tipo. Como todo filme escolar com criança, sempre tem um ou mais valentões que tocam o terror. O mesmo acontece aqui com o trio que invoca os monstros e que, sem perceber, acabam sendo dominados pelo poder das trevas. Não por isso, a esfera revela com o passar do tempo que é mais perigosa do que se pode imaginar e seu uso pode custar caro para a existência da humanidade.

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Gamu Takayama ao erguer o Esplender para se transformar

Há pouca participação dos membros da XIG, e por incrível que pareça, acaba tendo uma significatividade para a motivação de Gamu na trama. Cenas de destruição são bem intensas, do jeito como deve ser sempre no gênero tokusatsu (com kaijus e muita maquete). A luta final de Gaia contra King of Mons é de deixar qualquer inveterado roendo unhas. Mas isso causou um problema de continuidade no filme. É que o Color Timer de Gaia pisca por mais de três minutos. A impressão que fica é que o tempo foi estendido no “melhor” estilo Akira Toriyama de contar histórias. A aparição de Ultraman Tiga e Ultraman Dyna não passou de um mero fan service. Foi legal vê-los em ação mais uma vez, ajudando o então novo herói da TV japonesa, mas não teve consistência alguma. Em outras palavras, foi mais um desejo de criança em momento crítico.

Apesar da boa intenção da Tsuburaya, o público não se agradou do tratamento de Tiga e Dyna no filme. Isso não tira de maneira nenhuma o mérito do enredo. Além do mais, arrisco em dizer que pode ser visto como um filme para a família, especialmente ao remeter a referência ao lendário herói do passado que veio da Nebulosa M-78 para algum pai de família da velha guarda. Particularmente, apesar de não ser um dos melhores, A Batalha no Hiperespaço é um dos meus filmes favoritos de Ultraman.

Estreou nos cinemas japoneses em 6 de março de 1999. Mesmo se situando entre os episódios 26 e 27 da série de TV, o monstro Satanbizor aparece só depois do filme, mais precisamente no episódio 42.

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Capa do DVD brasileiro do filme de Gaia. Ao lado estão Tiga (dir.) e Dyna (esq.)

Ultraman Tiga, Ultraman Dyna & Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço foi lançado em DVD nos EUA em maio de 2002. Os fãs brasileiros receberam o título em DVD pela Focus Filmes em 2011, através de um pacote de lançamento de outros filmes da Família Ultra. Foi o segundo filme de Ultraman a ser dublado pelo estúdio Dubrasil, do proprietário Hermes “Ultraman Dyna” Baroli. Seu alter-ego não aparece no filme, mas trabalhou na direção de dublagem e interpretou o caça XIG Fighter e um policial abobalhado. Gamu/Ultraman Gaia foi interpretado por Fábio Lucindo, um velho conhecido do mundo dos animes como Ash Ketchium em Pokémon, Kuririn em Dragon Ball Z, Nagate em Knights of Sidonia, entre outros. Fábio voltaria a dublar o seu então novo herói de tokusatsu no filme Superior Ultraman 8 Brothers, assim como os respectivos dubladores de Ultraman.

Esteve disponível nos canais de streaming Netflix e Looke.

*Resenha publicada originalmente em 11 de março de 2016. O texto foi devidamente revisado e atualizado.

Autor: César Filho

Radialista. É autor do Blog Daileon e escreve semanalmente uma coluna sobre tokusatsu para o site JBox. Em Fortaleza, apresentou palestras em eventos como Sana e Anime Master entre 2013 e 2017. É fã de produções live action com efeitos especiais, principalmente das franquias Metal Hero, Ultraman e Kamen Rider. É admirador declarado pela cantora Yumi Matsuzawa.

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